quinta-feira, 10 de julho de 2014

O presente é viver?

Quando somos crianças, queremos ser adultos.
Quando somos adultos, queremos ser crianças.

Eu olho dentro de mim e não me compreendo. Depois, olho minha vida e não me contento.
Ando divagando com pensamentos vazios e compartilhando tristeza com ninguém.

Queria que as dores passassem após um carinho de mãe, um beijo na bochecha ou um colo, como quando eu era criança.
Queria que a saudade acabasse quando eu sentisse que vou voltar para casa e tudo vai ficar bem, como quando eu era criança.
Queria que as promessas fossem inabaláveis e inesquecíveis como quando éramos criança.
Queria que o amor fosse o suficiente, como quando eu era criança.
Queria que o choro fosse apenas por uma briga com um amigo, uma briga por brinquedo, um ralado no cotovelo, como quando eu era criança.
Queria que as pessoas sonhassem todo dia e divagassem sobre coisas inimagináveis e belas, como faço até hoje.
Queria acreditar que o futuro é lindo e o presente te faz feliz, como quando era criança.
Queria ser feliz com tudo que tenho, como eu era quando eu era criança.
Queria que me entendessem com abraços, como quando eu era criança.
Muito mais que queria, precisava.
Queria que meu coração fosse partido porque fiquei de castigo e não porque alguém que você ama prefere te amar de longe.

Ter um emprego bom e receber um bom salário não significa que sua vida é feliz.
Ter um futuro diploma de uma faculdade renomada não significa que você está feliz.
Ter reconhecimento profissional e pessoal não significa que você tem o que precisa.
Ter um relacionamento feliz não significa que ele será eterno e nem garante que a pessoa que você ama não queira desistir.
Ter pouca idade não significa que você é saudável, disposto e cheio de saúde. Muito menos que você não pode morrer amanha. Você pode.

Quando ficamos adultos conhecemos a desilusão. Um sentimento criado erroneamente por alguém que, sinceramente, esqueceu que sonhar é viver e o amor é a base da vida.

Eu sempre tive tudo que eu quis. Persisti e conquistei. Com muita dificuldade e as vezes sofrendo. Sempre me levantei das piores fases que a vida me trouxe até hoje e tão cedo. Porém... Acho que são raras as vezes que tive o que precisei em minha vida. Na verdade só tenho certeza que tive o que precisei umas 2 vezes: o Koji e talvez o E.
Já se sentiu como se você tivesse tudo que quisesse, um emprego bom, uma faculdade boa, força para superar fases caóticas, persistência, certa independência, um bom convênio... Mas não tivesse nada que precisasse, como se faltasse algo e isso te fizesse repensar sua vida, escolhas e te deixasse vazia?

Eu devia ter trabalhado menos, estudado menos, visto mais meus amigos em vez de trabalhar, estudar e assumir responsabilidades. Devia ter bebido menos, ter aprendido a cuidar de mim, ter sido alguém que faz as pessoas não quererem ir embora. Devia ter brigado menos, ter dado um abraço e ter ido dormir em vez de não dar o braço a torcer. Devia ter viajado mais, ter feito o que eu queria e o que me fazia feliz. Eu devia ter abraçado muito mais o Vô Hermínio e o Vô Antônio, eu realmente sempre quis vocês perto da minha vida...
Eu devia ter me cobrado menos e não devia ter aberto tanto meu coração.

Eu queria viajar, mas pelos motivos errados. Tenho medos e não posso contar.
Tenho segredos e não quero revelar.
Eu amo alguém e não tenho medo de demonstrar, mesmo que você não queira estar ao meu lado.

Temos que tratar, demonstrar, falar das coisas e pessoas não pelo que elas importam, mas sim pelo que elas significam para nós, assim, a morte, ou seja, o esquecimento, deixa de ser algo inevitável pois estará para sempre em nossos corações.

E se você quiser, um breve dia futuro, tem uma caixa enorme guardada no meu coração com seu nome. O mal do amor é a esperança e o bem do amor é a esperança também.
Agora não, mas independente do que aconteça, espero que tenha a ver com seu sorriso e o meu.