O ano que eu mais morri.

 


Eu quero falar aqui do ano que eu mais morri.


Isso mesmo. 


Morri muitas vezes tentando sobreviver. 


Meu filho já ensinou que sobreviver é errado e a gente tem que viver, mas insisto em fazer o que sempre deu errado. 


Pra quem perdeu o filho felino mais amado e meu apoio nas crises de ansiedade no dia 31 de dezembro, teve o diagnóstico e esteve junto da batalha contra o câncer do seu bebê, tendo medo de ver partir quem gestou e deu a vida. Viu a Bisa fazendo sua passagem, minha base, me ensinou tudo que sei sobre espiritualidade.


E sobreviveu. 


Muita gente se ausentou. Muita gente só sumiu. 

E eu quis muito o apoio de gente de verdade. 


Meu filho venceu, forte e amoroso. 


Meus lutos continuaram não vividos. 

Enlouqueci. 

Vivi minha loucura porque me permiti, precisei disso. 


Quebrei o ciclo das pessoas a minha volta, do meu sangue. 


Entendi quem realmente iria estar lá quando eu partisse. 


Aprendi que não preciso dizer que família é aquela imposta desde criança. Que te faz mal e te julga.

Família é quem te ama e tá no corre com você. Nem sempre de sangue, mas sempre no pior e melhor. 


O ano que eu morri. 


Muitas vezes. 


Parei num manicômio por conta própria e fui pra superfície, porque queria respirar de verdade.

 

Agora eu só quero viver. 

Nada de sobreviver. 


Pedro me ensinou que viver é pra vida toda, quem sobrevive não vive. 

Quem vive respira e também sente dor.


O ser humano é frágil. 


Diagnósticos são difíceis, nem sempre permanente, mas nem todos sabem respeitar ou lidar.


Esteja com os bons, que te amam e apoiam. 

Sempre. 


Quem quer te dá tempo.


Obrigada filho. É sempre por você. 


A partir de agora não quero mais sobreviver. 

Quero viver. 


Esse ciclo acaba aqui. 

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